Paróquia São Francisco de Assis

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Artigos › 17/02/2021

QUARESMA: UM OLHAR ALÉM DOS COSTUMES

Estamos iniciando a Quaresma, tempo litúrgico que vivemos anualmente, como forma de preparação para a Páscoa. Talvez já estejamos acostumados ao clima quaresmal, com o altar adornado com tecidos roxos, com as imagens dos santos cobertas e as missas com cantos e momentos mais reflexivos. Estas características fazem com que qualquer pessoa que frequenta a missa, perceba que a Igreja vive um tempo litúrgico “diferente” do vivido ao longo do ano, entretanto, o convite que a Igreja nos faz a cada tempo Quaresmal, é um convite de aprofundamento, para irmos além da simbologia característica deste tempo litúrgico, é olhar para estes importantes gestos e símbolos da liturgia, e de fato mergulharmos na essência do significado da Quaresma, para que possamos viver da melhor maneira possível, a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Alguns sacerdotes dizem que a Quaresma é um tempo privilegiado de conversão e combate, e sobretudo de escuta da Palavra de Deus, uma catequese profunda.

A Páscoa é a mais importante solenidade cristã, é na Páscoa que recebemos a salvação eterna, através da ressurreição de Jesus Cristo, que venceu a morte e nos libertou do pecado. A Quaresma é o período de preparação para a Páscoa, mais precisamente são 40 dias, iniciando-se na quarta-feira de cinzas e finalizando-se na Quinta Feira Santa, com a missa de lava-pés, que marca o início do tríduo Pascal. Se olharmos o calendário deste ano, veremos que do dia 17/fev ao dia 4/abr teremos 44 dias, porem ao excluirmos os domingos, dias que não possuem caráter penitencial, teremos os 40 dias da Quaresma. Apesar de não considerar os domingos como dias penitenciais, a Igreja recomenda que se mantenham também nestes dias os costumes quaresmais.

Antes mesmo de ser instituída como um período litúrgico da Igreja no século IV, a Quaresma já era vivenciada pelos cristão, que se preparavam por 40 dias para a Páscoa do Senhor, com oração intensa, Jejum e Penitencia. Os 40 dias da Quaresma tem um significado bíblico histórico: Quarenta dias do diluvio, quarenta dias que Moises permaneceu no Monte Sinai e quarenta dias que Jesus permaneceu no deserto, sendo tentado pelo Diabo. Para percorrer este caminho de preparação para a Páscoa, a Igreja nos aponta três pilares: A Oração que nos levará a um contato íntimo com o Senhor, a Penitência que é a renúncia daquilo que nos afasta de Deus, e promoverá em nós o autocontrole – vejam que neste pilar não necessariamente falamos de algo material – e a Caridade que é o pilar que tornará concreto os efeitos da oração e da penitência, ou seja, na caridade ofertamos ao próximo as nossas orações e/ou algum fruto material que nossa penitência tenha produzido.

Tão importante quanto percebermos as simbologias adotadas pela liturgia da Igreja no tempo quaresmal, e a partir desta simbologia, entendermos de fato o real significado e essência deste período, é adotarmos o caráter penitencial e reflexivo da Quaresma. Ora, se somos parte do corpo místico da Igreja, se sabemos o que significa a Quaresma e a sua importância para nossa fé, podemos nós viver este período como pessoas que desconhecem a fé? Falar em viver a Quaresma, é muitas vezes para nós católicos uma barreira, pensamos automaticamente em penitências, promessas, jejuns e abstinências. Estas coisas infelizmente por um desconhecimento nosso, nos remetem a um sofrimento, e automaticamente preferimos não nos aprofundar nas práticas e nos significados quaresmais, este período litúrgico passa, e nós ano a ano vivemos em uma certa ignorância religiosa.

Olhando para nós mesmos, com certeza podemos apontar algumas falhas que temos em nossa vida espiritual, seja o pouco tempo que destinamos a um contato próximo com Cristo através da oração, seja a não participação com frequência da Santa Missa ou a falta de confissão, dentre outras. Pois bem, a Quaresma é o tempo propício para corrigirmos estas falhas, é tempo de mudarmos a rota de nossa vida. A atitude de fazermos uma autorreflexão de nossa vida espiritual, olharmos para nós mesmos, deixarmos de lado algumas atitudes do mundo que nos dominam, e buscarmos uma experiência real com Jesus Cristo, talvez seja mais importante do que qualquer promessa mirabolante que costumamos fazer durante este período, e que normalmente nunca perduram durante estes 40 dias, pois estão normalmente relacionadas a um sacrifício material ou físico que atrapalham nossa rotina de trabalho, estudo e afazeres diários, e não estão diretamente embasadas ou justificadas em um argumento valido de fé. Logicamente, ao longo deste período de transformação em nossa vida espiritual, e de vitória sobre as coisas do mundo, devemos lembrar de Jesus Cristo, que venceu as tentações mundanas durante os 40 dias que ficou no deserto.

Mateus Cabrera – Equipe de Redação PASCOM