Paróquia São Francisco de Assis

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PASTORAL DA MÚSICA PROMOVE FORMAÇÃO NA PARÓQUIA

Por Fagner Lucas

Nos meses de fevereiro e março, a Pastoral da Música promoveu uma formação sobre teoria musical e história da música para os músicos de toda a paróquia. A formação foi ministrada por Fagner Lucas, músico e paroquiano na comunidade São Francisco de Assis, e contou também com a participação do músico Guilherme Macheto. No último dia de formação, a cantora Danielle Domingos ministrou um workshop sobre práticas vocais para os cantores.

A MÚSICA E A IGREJA

A música sempre esteve presente em rituais religiosos, desde a idade antiga. No período medieval, a música era vista como uma ciência e todos os sacerdotes tinham o ensino musical. Neste período, a música era monofônica – desprovida de qualquer acompanhamento – e sem divisão de vozes. As composições sempre tinham elementos teológicos e filosóficos, por exemplo, não tinha sensação de fim e sua estrutura era geralmente ternária – dividida em três tempos iguais – assim como Deus é infinito e trino.

Após a Reforma Protestante, em 1500, a Igreja começou a se preocupar com as mudanças que a música vinha sofrendo. De monofônica,passou a ter divisões de vozes e ganhou acompanhamentos e ornamentos. Porém, isso deixava difícil de entender o texto musical. Sendo assim, a Igreja instituiu que a música voltasse a ser monofônica, todavia acompanhada de um órgão simples e de língua vernácula, ou seja, traduzido para língua de cada país e não mais em latim, como antes era.

Mas por que apenas vocal e acompanhada de um órgão? Em Gênesis, capítulo 2, no versículo 7, diz que Deus deu a vida através de seu sopro. Por este motivo, a música era sempre vocal e passou a ser acompanhada por um órgão, pois é único instrumento que tem seu som provido de ar (sopro) capaz de formar acordes, tudo isso em comparação ao sopro de Deus criador. Isso mostra a riqueza que nossa liturgia e música católica têm. Cada acorde, cada nota, cada palavra cantada deve ser uma oferenda a Deus. Johann Sebastian Bach dizia: “Toda a música deve ser um louvor a Deus. Se isso não o for, não passa apenas de som os infernais”.

O PAPEL DO MÚSICO NA IGREJA

Há muito se sabe que a música faz bem para nosso bem estar. A música litúrgica tem características próprias. Muitos músicos, por não conhecerem as características da música ritual, cantam nas celebrações qualquer tipo de música conforme a moda. “Ela – a música – é parte integrante da Liturgia, é servidora da Liturgia. Nós não devemos cantar na Missa, mas sim cantar a Missa (cf. Estudos da CNBB 79: A música litúrgica no Brasil, n. 27)”.

A música precisa ter vínculo direto com o rito, intimamente ligado ao tempo litúrgico. Por isso, antes de escolher os cantos, é necessário aprofundar-se na liturgia e no sentido dos textos bíblicos. Como dizia Santo Agostinho: “Queres ver em que eu creio, venha à Igreja ouvir o que canto”. A música, por si só, tem pode de adentrar em áreas do nosso ser. Uma música bem executada transforma corações. O músico que descobre a virtude de ser instrumento de Deus descobre a realização de servir e testemunhar a força do Evangelho em forma de canção.

Fagner Lucas, músico e paroquiano na comunidade São Francisco de Assis.