Paróquia São Francisco de Assis

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Artigos, Editorial › 05/09/2019

O SÍNODO PARA AMAZÔNIA

“AMAZÔNIA: NOVOS CAMINHOS PARA A IGREJA E PARA UMA ECOLOGIA INTEGRAL”.

 

A Igreja católica, no período do Papa Paulo VI, instituiu o Sínodo, que é permanente e consiste num encontro de religiosos ou uma assembleia, onde os bispos têm a oportunidade de trocarem informações, compartilhando experiências junto ao Papa. A motivação para esse sínodo foi durante o encontro do Papa Francisco com povos indígenas de quase todos os países da Pan-Amazônia, em Porto Maldonado, Peru, onde falou sobre a riqueza dos saberes e da diversidade indígena, sobre a necessidade de defender a Amazônia e seus povos.

Pan-Amazônia envolve os países que têm a floresta Amazônica em seu território: Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, as Guianas e o Suriname, além do Brasil. O movimento social se apropriou desse conceito como sendo um conceito de luta desses povos, porque a Amazônia não é só uma questão física e geográfica, mas são povos que enfrentam os mesmos problemas de viverem e sobreviverem numa das últimas reservas de floresta tropical úmida no mundo e também uma das últimas reservas dessa biodiversidade.

Neste ano de 2019, o Papa Francisco realizará o “Sínodo da Amazônia”, que acontecerá em Roma, no Vaticano, entre os dias 6 e 27 de outubro, sendo a 16ª assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, que reunirá 250 lideranças católicas de todo o mundo para discutir por 23 dias o tema “Amazônia: Novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.

O objetivo principal desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização daquela população, especialmente os indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta.

Irão refletir sobre os novos caminhos de evangelização que devem ser elaborados em função do povo que habita na região Amazônica, assim como os habitantes de comunidades e zonas rurais, das cidades e grandes metrópoles, ribeirinhos e migrantes. As grandes riquezas produzidas na Amazônia e a vastidão de seus bens econômicos são negados à maioria de seus habitantes, o que favorece a predominância das desigualdades sociais, econômicas, culturais e políticas. Nessa perspectiva, as cidades representam uma realidade marcada por grandes contradições: de um lado, uma vastidão enorme de terras e florestas, de outro lado, muita gente, multidões inteiras, de empobrecidos no campo e nas cidades, sem-terra, sem moradia, sem acesso aos direitos básicos, buscar conhecer a riqueza do bioma, os saberes e a diversidade do povo amazônico, as suas lutas e suas resistências.

O logo do sínodo nos fala sobre: sua base é uma folha, que nos aponta para toda a biodiversidade presente na Amazônia. O movimento dela também nos lembra do fogo, uma chama, que é ação do Espírito agindo neste momento da história na Igreja e na Amazônia. A folha, por sua vez, não tem um traçado simples que aponta para uma única direção, mas traz a trama de uma cesta indígena, recordando a cultura das populações tradicionais, a força, o trabalho e o sentido de unidade. Unidade, aqui, de toda a Pan-Amazônia, lembrada nas cores das bandeiras dos países que a compõem, não tendo uma cor ou bandeira que prevaleça sobre a outra. No centro, um rio que une toda a região, com seus afluentes e bacias, símbolo também do caminho, motivação do tema do Sínodo, e que passa pela cruz, nossa identidade de Igreja e de cristãos.

 

MARIA DE LOURDES SOUZA (MALU)