Paróquia São Francisco de Assis

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Artigos › 14/02/2021

A MÚSICA NA IGREJA: UMA VISÃO PANORÂMICA

A Música, que é a arte de combinar sons de acordo com suas propriedades e elementos, como linguagem de comunicação é muito antiga, sendo experimentada desde os primeiros povos até os dias de hoje. O homem e a mulher são seres musicais e dificilmente há algum povo desde os mais antigos, que não tenham experimentado as manifestações musicais. Com o cultivo do som e do ritmo, dois dos elementos principais da música, os povos foram se desenvolvendo musicalmente chegando com o passar do tempo à fabricação de instrumentos e as técnicas de canto coral.

Existem muitas referências musicais na bíblia, com relatos da utilização da música em festas e celebrações religiosas como as realizadas pelo povo de Israel. Presente na caminhada do povo, desde Gênesis(Gn 4,21) onde é citado Jubal, o primeiro a tocar o Kinnôr, espécie de harpa, considerado o pai de todos os que tocam harpa e lira, até seu destino final glorioso narrado em Apocalipse(Ap 14,2), com o som de trombetas acompanhando o cântico novo dos remidos pelo Sangue do Cordeiro.

No templo de Jerusalém, ocorriam grandes festas e o Rei Salomão empregava muitos músicos e dava grande destaque a música nas liturgias solenes seguindo os passos de seu pai o Rei Davi que viveu intensamente a experiência musical, desde os louvores e aclamações da transferência da Arca da Aliança, até a tradição e organização dos Salmos e Cânticos que foram compostos ao longo de vários anos e que nos dizem tanto até os dias de hoje.

A igreja primitiva continuou a entoar os salmos e cânticos em suas celebrações litúrgicas, agora celebrando Jesus Cristo e seu mistério redentor. Nos primeiros séculos em razão da perseguição, os cristãos foram obrigados a celebrar a liturgia escondidos, à noite, e em lugares afastados do alcance dos “olhos do imperador”. Após esse período já na chamada época patrística, os Santos Padres da Igreja deram muita ênfase aos salmos e cânticos nas liturgias e dentre vários padres entusiastas da música litúrgica podemos citar Santo Agostinho, que sobretudo deu muita importância principalmente ao canto da assembleia. Dois séculos mais tarde, o papa Gregório Magno, organizou e legislou sobre o canto litúrgico e determinou os cantos para todo o ano; fundou a escola de canto, Schola Cantorum e foi o grande incentivador do canto gregoriano que se tornou próprio da liturgia latina e que se expandiu e perdurou na igreja por vários séculos.

Pelos séculos que se seguiram e durante muito tempo, a música na igreja se concentrou no canto gregoriano e à polifonia sacra em latim, ou seja, a participação do povo era relegada a segundo plano, tanto na música como nos ritos das missas. Foi então que ocorreu uma grande mudança na liturgia da igreja e nos anos de 1962 a 1965 realizou-se o Concílio Vaticano II no papado de João XXIII, que dentre vários assuntos importantes que foram tratados e mudanças ocorridas, principalmente se estabeleceu o desejo de proporcionar a participação ativa do povo na música e na liturgia da igreja para celebrar o Mistério Pascal de Jesus Cristo. Após esse período, até os dias de hoje, além dos corais surgiram os grupos de canto, que com o passar do tempo foram se desenvolvendo e aprendendo a cantar a missa, com formações variadas, desde um organista e cantor, chegando a grupos maiores com vários instrumentistas e cantores, chamados também de ministérios de música.

Esta visão panorâmica e bem resumida da história da música na igreja pode nos auxiliar na compreensão do canto e sua importância. Todo esse caminho até os dias de hoje registrou experiências muito positivas, mas também está carregado de desafios a serem superados. A liturgia da igreja tem a real necessidade do canto, e para que essa necessidade seja suprida, é preciso que haja ministros com formação técnica musical e também litúrgica, mas não se deve esquecer que principalmente além desses requisitos, é preciso um compromisso espiritual e vivência cristã, que permita principalmente a participação de toda a assembleia.

Alessandro Oliveira Lopes, músico, arte-educador, e paroquiano na Comunidade Nossa Senhora do Carmo

Referências: Bíblia de Jerusalém – Editora Paulus, 6ª impressão, 2010 e KOLLING, Míria T. Sustentai com arte a louvação: a música a serviço da liturgia. São Paulo: Editora Ave-Maria, 2011.